24 Março 2017

Reflexões sobre Tecnologia e Aprendizado

Escrito por  Publicado em Blog

Os recursos tecnológicos se desenvolvem de maneira simbiótica com quem os adotam,  pelas conveniências das empresas, pelo aprendizado dos educadores e pelo desempenho dos estudantes. Este artigo mescla educação e neurociência,  muito rico em conceitos e sugestões práticas  para todo educador que pretenda entender como a mente aprende e como facilitar e estimular o processo de aprendizado.  

 

 

Nos dias atuais, todos os que se preocupam com as questões da educação estão muito ocupados. Temos muito sobre o que refletir. As aceleradas mudanças impulsionadas pela tecnologia trazem ao mesmo tempo estusiasmo, esperança e medo.

Aprendizado online? jogos de computador? Realidade aumentada? Cross Midia? Discussão de casos? Comunidades de conhecimento? Contação de histórias? Fóruns de discussão? Salas de chat? Sala de wiki? Khan Academy? Coursera? TED?  

O que funciona? Em que situação funciona?

A velocidade com que as mudanças estão se dando nos deixa com pouco tempo para solidificar entendimentos, para testar hipóteses e para compartilhar experiências.

Os recursos tecnológicos se desenvolvem par e passo, de maneira simbiótica, com seu uso, expresso pelas conveniências das empresas, pelo aprendizado dos educadores e pelo desempenho dos estudantes. A tecnologia não se desenvolve por si. Ela se desenvolve guiada pelos que adotam seus instrumentos. Assim, educadores, principalmente, somos todos cúmplices das mudanças nas escolas e dos modos de aprender definidos pela tecnologia. Quer utilizando, quer negando a adoção de tais recursos tecnológicos, somos cúmplices.

Assim, creio que nunca foi tão necessário, como é agora, que nos aprofundemos nos conceitos básicos da educação e na essência do aprendizado. São esses fundamentos que nos guiarão na jornada que temos pela frente.

É nesse contexto que eu me refiro ao livro “Multiple Pathways to the Student Brain”, da educadora e neurocientista Janet Nay Zadina. É um texto que mescla educação e neurociência,  muito rico em conceitos e sugestões práticas  para todo educador que pretenda entender como a mente aprende e como facilitar e estimular o processo de aprendizado. Muitas dessas sugestões nem novidades são. Elas já são conhecidas e intuídas por professores mais experientes. Porém ao ver essas ideias apresentadas e justificadas de maneira profunda nos deixa mais ainda seguros ao confirmar nossas crenças.

A principal recomendação da autora é que todo educador deve se aprofundar no entendimento dos conceitos básicos da neurociência do aprendizado. Somente assim o educador terá bases e fundamentos para conduzir seu trabalho e decidir pelas melhores técnicas a serem adotadas. E esse livro nos ajuda nessa tarefa.

Mas, mais importante ainda, diz a autora, é que os proprios alunos precisam entender como aprendem e como a mente de cada um aprendeu o que sabe. Permitm-me citá-la (em tradução livre):

“Quando os estudantes entendem como a mente aprende, que a inteligência é maleável e que eles podem assumir controle do seu aprendizado, suas conquistas se intensificam, mesmo nos estudantes de desemplenho prévio mais fraco.”

É da natureza do ser humano aprender. Mas pode-se aprender melhor, mais profundamente e mais duradouramente se soubermos como nossa mente aprende.

Ela explica que aprendemos ao fazer conexões entre experiências e emoções novas (que nos chegam pelos sentidos e pelo pensamento) a coisas que já sabemos. A elaboração sobre essas experiências e emoções novas, na comparação com o que já sabemos (nossos conhecimentos e nossa visão do mundo e das coisas), intensificam tais conexões, que em última análise é o aprendizado. Dessa forma, quanto mais experiências vivemos, quanto mais emoções sentimos, quanto mais refletimos e pensamos, mais aprendemos. E mais prontos estaremos para aprender mais. E experiências novas são tão mais impactantes quando nos chegam simultaneamente pelos múltiplos canais auditivos, visuais, motores, e demais.

O que concluo, então é que o papel do educador é possibilitar que nossos estudantes tenham acesso a informações, vivam experiências e reflitam sobre elas. Como fazer isso, dependerá de cada educador, de cada professor e de cada profissional que desenvolve técnicas e tecnologias para o aprendizado.

 

Edson Fregni
Professor da Escola Politécnica da USP
Sócio fundador da Sciere Tecnologias Educacionais

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