15 Setembro 2016

Entenda o que são os LMS - Learning Management Systems

Escrito por  Publicado em Blog

 

 

“A Amazon planeja fazer uma grande incursão no mercado de tecnologia educacional para as escolas primárias e secundárias, um território que a Apple, Google e Microsoft têm fortemente demarcado [...]. Eles irão disponibilizar conteúdo online na forma de dezenas de milhares de planos de aulas abertos e grátis, planilhas e outros materiais de instrução para professores [...]. Chamado de Amazon Inspire, o site de educação tem características que podem parecer familiares aos compradores habituais da Amazon... “

The New York Times de 27 de junho de 2016

 

 

Cada vez mais, existe conteúdo educacional, na forma de vídeos, textos, animações e jogos, disponível na Internet para utilização livre e gratuita. . Professores, instituições de ensino e corporações podem utilizar o material didático e eventualmente modificá-os  e construir programas online para cursos a distância ou para apoio aos cursos presenciais.  

 

 

 

 

Recentemente, a Amazon lançou o serviço chamado de Amazon Inspire, que possui como missão tornar-se um centro de acesso e compartilhamento de conteúdo para professores e escolas. Para que isso possa ser feito de maneira controlada e eficaz, será necessário que se utilizem programas de computador para educação online, mais conhecidos pela sigla inglesa LMS.

 

Porque ainda não existe uma taxonomia nem uma ontologia dos ambientes de aprendizagem apoiados na tecnologia que sejam aceitas por todos, eu me propus trazer aqui os pontos relevantes para ajudar no entendimento desse tipo de sistema.

 

Em português, é comum utilizar-se a expressão AVA (Ambiente Virtual de Aprendizagem) para designar os LMS’s.  Este sistema é um ambiente virtual com um espaço online de aprendizagem, onde estudantes estudam, acessando conteúdos, realizando suas provas e demais atividades e interagindo com colegas e professores.

 

Além disso, esse sistema permite que se faça a gestão do processo educacional, tanto no formato online puro (educação a distância), quanto no formato híbrido, com aulas presenciais apoiadas por serviços online. Num LMS em atividade, os usuários são cadastrados em diferentes papéis. Assim, esse sistema deve permitir:

  • Que alunos acessem, de maneira organizada, todo o conteúdo e realizem as atividades de um curso e, ainda, que tenha toda a informação sobre seus desempenhos, sendo alertados sobre as atividades pendentes, novidades, fóruns de discussão e recomendações dos professores.

  • Que professores possam acompanhar o andamento e o desempenho da turma e de cada estudante individualmente, que seja alertado sobre o que está aguardando ação de sua parte (correção de exercício, discussões no fórum, sessões de vídeo conferência com estudantes), e ainda permite que o professor extraia relatórios detalhados de tudo que acontece em seu curso.

  • Que educadores e dirigentes das escolas ou instituições de ensino possam acompanhar o desempenho de turmas, professores, e estudantes; e consigam extrair relatórios detalhados de tudo que acontece no ambiente de aprendizagem.

  • Que autores, além de elaborarem o conteúdo dos cursos, saibam quantos alunos estão “consumindo” suas lições e realizando as atividades por ele definidas,  que dificuldades estão encontrando e quais são as opiniões dos alunos sobre a utilidade percebida do material que produziu.

 

Fundamentalmente, o que diferencia um particular  LMS de outros são os recursos que oferecem para a aprendizagem e para a gestão do processo. O LMS pode ter diferentes portes e estruturas, conforme a demanda de diferentes tipos de usuários.

  1. Para uso de professores ou pequenas escolas

Esta é a versão mais simples de um LMS. É organizado para veicular cursos, onde o professor é, ao mesmo tempo, instrutor, facilitador, autor e gestor do ambiente. Normalmente ele oferece facilidades para o professor criar seus cursos e matricular os alunos. Os cursos de um professor são independentes uns de outros.

  1. Para uso por escolas

Esta é a forma mais completa de um LMS, com capacidade de estruturar grades curriculares. O LMS já deve ter todas as funcionalidades integradas e funcionando em harmonia. Quem utiliza o sistema deve ser cadastrado em diferentes papéis como o de autor, professor, gestor, aluno, entre outros. Os conteúdos devem ser multimídia e os recursos educacionais são sofisticados, particularmente no que se refere à forma como implementa as atividades requeridas dos alunos e as provas. A capacidade de reportar deve ser plena.

  1. Para educação corporativa e empresas de treinamento

Este é o formato intermediário de um LMS, porque é mais sofisticado que aqueles voltados apenas aos poucos cursos de um professor, na medida que é capaz de estruturar um programa educacional de vários cursos em trilhas. Essas trilhas podem ser individualizadas de acordo com o perfil de competências de cada estudante, incorporando conteúdo no formato SCORM (padrão norte americano para conteúdo multi-plataforma). A capacidade de reportar tudo o que acontece no ambiente é plena.

  1. Para empresas e escolas que desejam ambientes educacionais muito particularizados

Esta necessidade seria atendida por LMS como uma caixa de ferramentas. Cada vez mais, a Web é um repositório de ferramentas  na forma de software livre ou grátis que, com alguma competência técnica, podem ser integrados num ambiente de aprendizagem específico. Essa é uma solução viável para quem, de um lado dispõe de equipe com conhecimento em tecnologia da informação e do outro manifesta uma necessidade não sofisticada e particularizada quanto ao ambiente de aprendizagem.

  1. Plataformas Educacionais configuráveis

Finalmente há as Plataformas Educacionais, que são LMS’s configuráveis que podem ser utilizados, de maneira adequada, a qualquer dos usos descritos anteriormente. Essa configuração não requer alteração no software e é feita por todos que se envolvem na preparação dos programas educacionais e dos cursos, como os autores, professores e gestores do ambiente. E, essa versão mais poderosa, normalmente opera na nuvem web (na forma de software como um serviço) e ainda, permitiria a integração com o sistema de administração e finanças da organização – o ERP (Enterprise Resource Planning).

 

Importante ressaltar que apenas o sistema de software, o LMS, não garantirá uma educação de qualidade. Processos educacionais devem ser planejados, desenvolvidos e construídos a partir e com o apoio da plataforma tecnológica. Processos, neste contexto, incluem o típico fluxo de atividade de todos envolvidos, os objetivos de cada participante, os recursos que viabilizam as atividades, a arquitetura do espaço, e o conteúdo de cada curso. Tudo isso organizado de maneira harmoniosa para tornar o aprendizado agradável, socializado, eficiente e profundo.

 

Três são os processos típicos que podem ser incorporados num programa de aprendizagem.

 

  1. Aprendizado em cursos

Cursos são os formatos mais utilizados pelas escolas e empresas de treinamento. São processos que têm início e fim, e percorrem conteúdos e atividades numa sequência previamente planejada.

  1. Aprendizado em comunidades de aprendizagem

Uma comunidade de aprendizagem online é um espaço na web que trata de um particular assunto, onde pessoas interessadas nesse assunto a frequentam para compartilhar experiências, trocar ideias e participar de discussões. O conteúdo é trazido pelos próprios participantes e o foco sendo tratado na comunidade é também definido por eles.

  1. Aprendizado no trabalho com orientação de tutor

Esse modelo é utilizado principalmente nos processos de aprender enquanto se faz (on the job training). Um tutor, mentor, coach ou mestre orienta o aprendiz enquanto este realiza o trabalho, tirando suas dúvidas, corrigindo-o e propondo desafios. Com uso de recursos online, o processos de comunicação síncrono (onde mestre e aprendiz se comunicam ao vivo) pode-se dar por mecanismos tipo “chat” ou de vídeo-conferência.

 

Um bom LMS deve facilitar a implementação de programas educacionais que integram esses três processos. Mas, certamente isso é para usuários mais experientes, capazes de estruturar programas de educação mais complexos e mais ricos em oportunidades de aprendizagem para todos os envolvidos. A recomendação, para quem começa, é óbvia. Inicie com processos mais simples e enriqueça na medida em que você ganhar experiência e confiança no uso das técnicas mais poderosas.

 

Edson Fregni – sócio fundador da Sciere Tecnologias Educacionais e Professor da Escola Politécnica da USP

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